quinta-feira, 2 de junho de 2011

O uso de insetos na alimentação humana - Brasileiro lança livro




Por Raquel Maldonado 

Não é de se estranhar se daqui a alguns anos, além de arroz e feijão, fizerem parte da nossa lista de compras gafanhotos, percevejos, larvas e até moscas. Segundo especialistas, a introdução de insetos na nossa dieta será uma tendência, já que eles se apresentam como uma alternativa econômica e nutritiva à proteína encontrada nas carnes de peixe, frango, porco ou boi. O grande desafio será fazer com que as pessoas revejam seus hábitos alimentares e deixem de ver os insetos como seres sujos, repugnantes e capazes de transmitir doenças e passem a enxergá-los como fonte rica de proteínas, gorduras, vitaminas e sais minerais.

De acordo com estimativa da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO, na sigla em inglês), até 2050 o consumo de carne deverá dobrar e não haverá quantidade suficiente para todas as pessoas do mundo. Neste cenário, os insetos seriam “uma oportunidade única para completar a necessidade de proteína dos mais de 1 bilhão de famintos em todo o planeta, bem como proporcionar-lhes renda através de atividades baseadas no processamento e venda de insetos, uma vez que a criação é simples e barata”, afirma o órgão em sua página na internet.

Atualmente existem cerca de 2,5 bilhões de pessoas, principalmente na África, Ásia e América Latina, que consomem insetos no dia a dia. Segundo o professor Eraldo Medeiros Costa Neto, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia, e autor da primeira publicação brasileira sobre o assunto, alguns insetos chegam a ter proporcionalmente mais proteínas do que as carnes que estamos acostumados a consumir: enquanto 100 gramas de formiga tanajura, de gafanhoto e de mosca possuem 43%, 52% e 61% de proteína, respectivamente, a mesma quantidade de carne de boi possui 20% do mesmo nutriente (veja comparação na página ao lado).

“A entomofagia (prática de comer insetos) pode ser promovida pela educação, enfatizando os benefícios nutricionais que os insetos comestíveis fornecem. É preciso mudar a ideia de que eles não podem ser incluídos na alimentação do dia a dia”, defende o professor que acaba de lançar o livro “Antropoentofagia: Insetos na Alimentação Humana”.

No País, o ato de comer insetos ainda é tímido, mas em algumas cidades brasileiras, existe o costume de consumir a içá, também conhecida como formiga saúva ou tanajura. A forma mais comum de apreciá-la é em uma farofa, mas também há quem a coma como aperitivo.

Na cidade de Silveiras, no interior de São Paulo, a “iguaria” faz parte da alimentação dos moradores e ajuda a complementar a renda de algumas famílias que vendem uma garrafa de 2 litros repleta de formigas por cerca de R$ 50.

A empresa Nutrinsecta, produtora nacional de insetos para ração animal, solicitou recentemente autorização ao Ministério de Agricultura para poder comercializar seus produtos também para consumo humano. “A nossa ideia inicial era produzir para animais, mas depois de algumas consultas que recebemos de restaurantes e bares interessados em comprar insetos começamos a nos interessar por este novo nicho que tem tudo para prosperar”, disse o zootecnista e sócio da empresa, Gilberto Schickler. Segundo o empresário, a resposta do ministério deve sair no próximo mês.

Caso a autorização seja concedida, a Nutrinsecta será a primeira empresa brasileira a comercializar insetos para o consumo humano. No exterior isso já ocorre em alguns países, como nos Estados Unidos, onde a empresa Hotlix vende doces e salgadinhos feitos com formigas, larvas e escorpiões.

Vale lembrar que nem todos os insetos podem ser consumidos. “É importante que os insetos sejam de boa procedência e que haja um estudo para saber quais podem ser ingeridos por seres humanos. Alguns causam alergias e podem até envenenar”, alerta o professor Costa Neto.

Mais informações aqui

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